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Nervoso

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Sistema Nervoso Central (SNC)

Introdução

 

O SNC é composto pelo encéfalo (cérebro, cerebelo e tronco encefálico e a medula espinhal). Sua função principal é captar informações das vias nervosas, interpretar e coordenar, sendo informações motoras e sensoriais. Outras funções importantes são a de regular informações emocionais, cognitivas e autonômicas.

Principais células do tecido nervoso são: 

  • Neurônio: responsáveis condução de corrente elétrica

  • Células da Glia (neuróglia): são células de suporte que nutrem, protegem e auxiliam na função neuronal.

 

É importante ressaltar que o SNC possui uma organização estrutural única em âmbito histológico. Dessa forma, os corpos celulares neuronais e a sinapses estão presentes na substância cinzenta, já os axônios mielinizados estão localizados na substância branca. E para proteger essas estruturas esse sistema possui meninges, líquido cefalorraquidiano (LCR) e também pela barreira hematoencefálica.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

HISTOLOGY GUIDE. Nervous Tissue - Neurons. Disponível em: https://histologyguide.com/. Acesso em: 12 jul. 2025.

 

Estrutura e classificação dos neurônios

 

A estrutura do neurônio é composta pelo corpo celular ou pericário (soma), onde se encontra o núcleo, retículo endoplasmático rugoso (corpúsculo de Nissl), complexo de Golgi e mitocôndrias. Os Dendritos são prolongamentos ramificados que recebem estímulos de outros neurônios. Também está presente o axônio, que tem como característica um único prolongamento que transmite impulsos nervosos para outros neurônios.

Dentre outras estruturas importantes, estão presentes a conexão axonal (segmento inicial), onde o potencial de ação é gerado, a bainha de mielina para aumentar a velocidade de condução, os nódulos de Ranvier (regiões desmielinizadas) para permitir a condução saltatória e os botões sinápticos que liberam neurotransmissores na fenda sináptica.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Junqueira, L. C., & Carneiro, J. (2017). Histologia Básica (12ª ed.). Guanabara Koogan. [Capítulo 9 - Tecido Nervoso]

 

A classificação do neurônio é dividida em unipolar, bipolar, multipolar e pseudounipolar. Tais características os descrevem a seguir:

 

  • Neurônios Bipolares: Possuem um único dendrito e um axônio, formando uma estrutura simplificada e especializada. Exemplos incluem os neurônios da retina (visão) e da cóclea (audição), que atuam na transmissão sensorial primária.

  • Multipolar: possui um axônio e vários dendritos. Ex.: neurônios motores do corno anterior da medula;

  • Neurônios Pseudounipolares: Possuem um único prolongamento que se ramifica em dois – um direcionado à periferia (captando estímulos) e outro ao SNC (transmitindo informações). Essa estrutura otimiza a transmissão sensorial, como nos neurônios dos gânglios espinhais, que conduzem sinais de tato, dor e temperatura da pele para a medula espinhal sem passar pelo corpo celular.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Junqueira, L. C., & Carneiro, J. (2017). Histologia Básica (12ª ed.). Guanabara Koogan. [Capítulo 9 - Tecido Nervoso]

É importante ressaltar que os neurônios possuem uma classificação funcional, que é de extrema importância para a compreensão fisiológica do SNC. Essa classificação é dividida em 3 tipos:

 

  • Neurônios sensitivos (aferentes): levam informações dos receptores sensoriais para o SNC.

  • Neurônios motores (eferentes): conduzem impulsos nervosos do SNC para os músculos ou glândulas.

  • Interneurônios: são responsáveis pelas conexões dentro do SNC, fazendo uma integração de informações.

 

Células da Glia

 

As células da glia, embora não conduzem impulsos nervosos, são fundamentais para o funcionamento do sistema nervoso central (SNC). Elas representam cerca de 50% do volume total do cérebro. Suas funções incluem suporte estrutural, modulação da atividade neuronal, manutenção do ambiente extracelular e participação em processos imunológicos e de reparo. A seguir será descrita-as:

 

Astrócitos: de formato estrelado, os astrócitos conectam neurônios aos vasos sanguíneos, regulando a barreira hematoencefálica e o equilíbrio iônico. Em lesões, formam cicatrizes gliais, limitando danos mas inibindo a regeneração.

UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS (UNICAMP). Neurônios no tecido nervoso [Imagem]. In: AnatPat – Atlas Virtual de Histologia. Disponível em: https://anatpat.unicamp.br/. Acesso em: 12 jul. 2025.

Oligodendrócitos: produzem a bainha de mielina no SNC, isolando axônios e acelerando a condução nervosa. Diferentemente das células de Schwann (SNP), um único oligodendrócito pode mielinizar múltiplos axônios.

UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS (UNICAMP). Neurônios no tecido nervoso [Imagem]. In: AnatPat – Atlas Virtual de Histologia. Disponível em: https://anatpat.unicamp.br/. Acesso em: 12 jul. 2025.

Micróglia: atuam como células imunológicas do SNC, fagocitando patógenos e detritos celulares. Em repouso, monitoram o tecido neural; quando ativadas, participam de processos inflamatórios e degenerativos.

 

​​UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS (UNICAMP). Neurônios no tecido nervoso [Imagem]. In: AnatPat – Atlas Virtual de Histologia. Disponível em: https://anatpat.unicamp.br/. Acesso em: 12 jul. 2025.

  • Ependimócitos: revestem os ventrículos cerebrais e o canal central da medula, produzindo e circulando o LCR. Algumas células possuem cílios que auxiliam no fluxo do líquido.

 

HISTOLOGY GUIDE. Nervous Tissue - Neurons. Disponível em: https://histologyguide.com/. Acesso em: 12 jul. 2025.

 

Organização do Sistema Nervoso Central

 

Substância cinzenta: Contém corpos celulares neuronais, dendritos e sinapses. No córtex cerebral, organiza-se em camadas; na medula, forma os cornos anterior (motores), posterior (sensoriais) e lateral (autonômicos).

Substância Branca: Composta por axônios mielinizados que conectam regiões do SNC. Exemplos incluem o corpo caloso (liga hemisférios cerebrais) e os tratos ascendentes/descendentes da medula.

 

Organização histológica das estruturas do SNC

 

Cérebro: O tecido nervoso do cérebro apresenta uma organização distinta entre substância cinzenta e branca. No cérebro, a substância cinzenta forma uma camada externa, constituindo o córtex cerebral, onde se concentram os corpos neuronais, dendritos e sinapses, além de células da glia. Esse córtex possui uma organização laminar, com seis camadas bem definidas que variam em densidade e tipo de neurônios. Já a substância branca situa-se internamente, composta principalmente por feixes de axônios mielinizados que conectam diferentes áreas do córtex entre si e com outras regiões do SNC. Esses tratos são envolvidos por oligodendrócitos, que produzem a bainha de mielina, garantindo a transmissão eficiente dos impulsos nervosos.

HISTOLOGY GUIDE. Nervous Tissue - Neurons. Disponível em: https://histologyguide.com/. Acesso em: 12 jul. 2025.

 

Cerebelo: No cerebelo, a disposição da substância cinzenta e branca segue um padrão semelhante ao do cérebro, mas com particularidades em seu córtex. A substância cinzenta forma o córtex cerebelar, organizado em três camadas: a camada molecular (mais externa, com poucos corpos celulares e muitos dendritos e fibras paralelas), a camada de Purkinje (com seus característicos neurônios em forma de frasco) e a camada granular (interna, com pequenos neurônios granulares densamente empacotados). A substância branca fica abaixo do córtex, contendo os axônios que ligam o cerebelo a outras estruturas, como os núcleos profundos cerebelares e o tronco encefálico.

HISTOLOGY GUIDE. Nervous Tissue - Neurons. Disponível em: https://histologyguide.com/. Acesso em: 12 jul. 2025.

 

HISTOLOGY GUIDE. Nervous Tissue - Neurons. Disponível em: https://histologyguide.com/. Acesso em: 12 jul. 2025.

Tronco encefálico: O tronco encefálico (mesencéfalo, ponte e bulbo) apresenta uma organização mais complexa, com a substância cinzenta distribuída em núcleos intercalados pela substância branca. No mesencéfalo, a substância cinzenta forma estruturas como os colículos (superior e inferior) e a substantia nigra, enquanto a substância branca inclui tratos ascendentes e descendentes, como os pedúnculos cerebrais. Na ponte, a substância cinzenta forma núcleos associados a funções sensoriais e motoras, enquanto a substância branca contém fibras transversais que conectam a ponte ao cerebelo (fibras pontocerebelares). No bulbo, a substância cinzenta abriga núcleos vitais, como os do sistema cardiovascular e respiratório, enquanto a substância branca consiste em tratos que ligam a medula espinhal ao cérebro.​​​​​​​​​​​​​​​​​

Medula espinhal: Na medula espinhal, a disposição da substância cinzenta e branca é invertida em relação ao cérebro e cerebelo. A substância cinzenta ocupa a região central, formando uma estrutura em "H" ou borboleta, com cornos anteriores (motores, contendo corpos de motoneurônios), cornos posteriores (sensoriais, com interneurônios) e, em alguns segmentos, cornos laterais (relacionados ao sistema nervoso autônomo). A substância branca envolve externamente a cinzenta e é organizada em funículos (anterior, posterior e lateral), contendo vias ascendentes (que levam informações sensoriais ao cérebro) e descendentes (que transmitem comandos motores da medula para os músculos).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

HISTOLOGY GUIDE. Nervous Tissue - Neurons. Disponível em: https://histologyguide.com/. Acesso em: 12 jul. 2025.

Proteção e vascularização do SNC 

 

As meninges são divididas em três camadas conjuntivas (de fora para dentro):

 

  • Dura-máter: localizada externamente e fibrosa;

  • Aracnóide: forma o espaço subaracnóideo (onde está localizado o LCR);

  • Pia-máter: está aderida ao tecido neural e é altamente vascularizada.

 

Barreira hematoencefálica: formada por endotélio com junções estreitas, membrana basal e prolongamentos astrocitários. Controla seletivamente a passagem de substâncias, protegendo o SNC.

 

Líquido cefalorraquidiano (LCR): produzido nos plexos corióides, circula pelos ventrículos e é reabsorvido nas vilosidades aracnóideas. Amortece impactos e mantém a homeostase neural.

 

Regeneração e Plasticidade no SNC

 

A regeneração axonal no SNC é limitada devido à falta de neurolema e à presença de moléculas inibitórias (ex.: proteína Nogo). No entanto, a plasticidade neural permite reorganização sináptica pós-lesão, e a neurogênese persiste em áreas como o hipocampo.

 

Curiosidade sobre a regeneração no SNC

 

Sabia que, ao contrário dos nervos periféricos, o Sistema Nervoso Central (SNC) quase não se regenera após uma lesão? Isso acontece porque a mielina do SNC produz proteínas inibidoras (como a Nogo-A) que bloqueiam o crescimento dos axônios, e os astrócitos formam uma cicatriz glial que impede a reparação. Mas a ciência está virando o jogo! Pesquisas com anticorpos contra a Nogo-A, terapia com células-tronco e até estimulação elétrica estão mostrando que, no futuro, poderemos 'enganar' o cérebro e a medula para que se regenerem – um avanço que pode revolucionar o tratamento de lesões neurológicas!

 

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Sistema Nervoso Periférico (SNP)

O sistema nervoso periférico é formado pelas estruturas nervosas localizadas fora do sistema nervoso central (SNC), incluindo os nervos e os gânglios. Os nervos são feixes de fibras nervosas (axônios com células de Schwann), organizados e protegidos por camadas de tecido conjuntivo. Os gânglios são aglomerados de corpos celulares de neurônios, situados fora do SNC.

 

→ Nervos: Os nervos conectam o SNC aos receptores sensoriais e aos órgãos efetores (músculos e glândulas). A maioria é mista, contendo fibras aferentes (sensitivas) e eferentes (motoras). Nervos puramente aferentes são chamados sensoriais, enquanto os exclusivamente eferentes são motores.

É composto principalmente de feixes de fibras nervosas, ou seja, axônios que são revestidos pelas células de Schwann, o que dá seu aspecto esbranquiçado.

Organização Estrutural

Nos nervos mais espessos, as fibras são agrupadas em múltiplos feixes, os quais se ramificam ao longo do seu trajeto. Já os nervos menores podem conter apenas um feixe. Três camadas de tecido conjuntivo organizam e protegem essas fibras:

  • Epineuro: reveste externamente nervos de maior calibre e é contínuo com a dura-máter da medula espinal. É rico em fibras colágenas e elásticas, células do tecido conjuntivo, fibroblastos e vasos.

  • Perineuro: envolve individualmente cada feixe de fibras nervosas, formando uma barreira seletiva por meio de junções entre suas células. Ele é contínuo com a aracnóide da medula espinhal e forma uma barreira que mantém a composição constante de eletrólitos, nutrientes e outras moléculas.

  • Endoneuro: camada delicada entre as fibras de cada feixe, contém fibras colágenas finas, fibroblastos, macrófagos, mastócitos e capilares que nutrem os axônios e as células de Schwann. Esses capilares atuam como uma barreira semelhante à hematoencefálica por possuíam junções de oclusão bastante desenvolvidas, o que possibilita o controle do fluxo de íons, moléculas e células que podem alcançar os neurônios e as células de Schwann

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ABRAHAMSOHN, P. Histologia. Rio de Janeiro: Grupo Gen - Guanabara Koogan, 2016.

Diagrama de um nervo em secção transversal. Uma camada de tecido conjuntivo – o epineuro – situa-se em torno do nervo e de seus fascículos. Cada fascículo é revestido por uma camada de um tecido conjuntivo especial – o perineuro. As células do perineuro são alongadas e se unem por junções intrecelulares. No interior dos fascículos, um delicado tecido conjuntivo, vascularizado – o endoneuro –, situa-se entre as fibras nervosas. Veja no detalhe à direita como são vistas as fibras nervosas em secção transversal.

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ABRAHAMSOHN, P. Histologia. Rio de Janeiro: Grupo Gen - Guanabara Koogan, 2016.

Nervo em secção transversal. A. Nervo composto de apenas um fascículo. É recoberto por epineuro e perineuro. B. Detalhe de secções transversais de fibras nervosas mielinizadas. Cada fibra é constituída de um axônio revestido por uma célula de Schwann. O espaço claro em torno do axônio representa mielina que foi removida durante a preparação do corte. Entre as fibras existe endoneuro. (Microscopia óptica. H&E. A, Vista panorâmica; B, Aumento médio.)

Aspecto Histológico

Nas secções transversais, os axônios mielinizados são visíveis dentro de halos claros (mielina dissolvida), cercados por citoplasma da célula de Schwann. Já os nervos amielínicos, mais finos, contêm células de Schwann com múltiplos pequenos axônios alojados em invaginações citoplasmáticas, sem formação de mielina. Como visto nas imagens acima.

Nos cortes longitudinais, os nervos mielinizados mostram feixes com aparência vacuolada, devido à extração da mielina no preparo histológico. O axônio aparece como um fio no centro de cada fibra. Os núcleos das células de Schwann são alongados, enquanto os das células endoteliais são mais escuros e delgados.

ABRAHAMSOHN, P. Histologia. Rio de Janeiro: Grupo Gen - Guanabara Koogan, 2016.

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Nervo em corte longitudinal. Em aumento pequeno observam-se as fibras nervosas, cujo aspecto é, em geral, levemente ondulado. (Microscopia óptica. H&E. Aumento pequeno.)

Nervo em corte longitudinal. Os limites entre as fibras nervosas estão bem destacados. No interior de várias fibras observam-se axônios. Os locais estrangulados das fibras são nódulos de Ranvier. Os núcleos pertencem a células de Schwann. (Microscopia óptica. H&E. Aumento grande.)

Os gânglios são conjuntos de corpos celulares neuronais fora do SNC, geralmente rodeados por tecido conjuntivo e células satélites, que oferecem suporte e proteção.

 

  • Gânglios sensoriais: Transmitem estímulos da periferia ao SNC. Os principais são os gânglios espinais, localizados nas raízes dorsais dos nervos espinais, e os gânglios cranianos. Seus neurônios são do tipo pseudounipolar, com dois prolongamentos que se fundem parcialmente, conduzindo o impulso diretamente do receptor ao SNC sem atravessar o corpo celular.

 

  • Gânglios do Sistema Nervoso Autônomo: Localizam-se ao longo dos nervos ou dentro dos órgãos (gânglios intramurais). Apresentam neurônios multipolares, com sinapses recebidas de fibras pré-ganglionares. Esses neurônios emitem fibras pós-ganglionares que se dirigem aos músculos ou glândulas-alvo. Em microscopia, possuem aspecto estrelado e estão organizados em estruturas esféricas ou ovaladas.

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ROSS, M. H.; PAWLINA, W. Histology : a text and atlas. Philadelphia: Wolters Kluwer/Lippincott Williams & Wilkins Health, 2015.

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Nervous Tissue | Histology Guide. Disponível em: <https://histologyguide.com/gallery/06-nervous-tissue.html?page=7>. Acesso em: 12 jul. 2025.

Gânglio da raiz dorsal

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L CARLOS JUNQUEIRA; JOSÉ CARNEIRO; KELLEY, R. O. Basic histology : text & atlas. New York: Mcgraw-Hill, Medical Pub. Division, 2003.

Gânglio sensorial. A. É revestido por uma delgada cápsula de tecido conjuntivo. No seu interior, há inúmeros corpos celulares de neurônios pseudounipolares envolvidos por células satélites, cujos núcleos estão apontados por setas. B. Detalhe do gânglio evidenciando corpos celulares de neurônios e núcleos de células satélites (setas) que os recobrem. (HE. A. Pequeno aumento. B. Médio aumento. Imagem de P. Abrahamsohn.)

Sistema Nervoso Autônomo (SNA)

O SNA é responsável por controlar funções involuntárias, regulando a atividade da musculatura lisa, cardíaca e glândulas. Embora seja chamado "autônomo", funciona em estreita relação com o sistema nervoso somático, que influencia suas ações constantemente.

Estruturalmente, o SNA é composto por neurônios no SNC, fibras nervosas que saem por nervos cranianos e espinais, gânglios periféricos e fibras que conectam esses gânglios aos órgãos efetores.

Organização Funcional

Diferente do sistema somático, que utiliza apenas um neurônio para atingir o músculo esquelético, o SNA utiliza dois neurônios em sequência:

  • Pré-ganglionar: corpo celular no SNC, envia fibras até um gânglio.

  • Pós-ganglionar: corpo celular no gânglio, envia fibras ao órgão-alvo (músculo liso, cardíaco ou glândula).
     

A acetilcolina é liberada nas sinapses pré-ganglionares. Nas sinapses pós-ganglionares, o neurotransmissor pode ser acetilcolina ou norepinefrina, dependendo da divisão do SNA.

 

Divisões do SNA

1. Divisão Simpática (Toracolombar)

  • Origem: neurônios localizados entre T1 e L2 da medula espinal.

  • Fibras pré-ganglionares curtas saem da medula e fazem sinapse em gânglios simpáticos próximos à coluna vertebral (paravertebrais ou pré-aórticos).

  • Fibras pós-ganglionares longas seguem até os órgãos-alvo.

  • Neurotransmissor: norepinefrina (fibras adrenérgicas).

  • Atua em situações de emergência, estresse ou atividade física (ex.: acelera os batimentos cardíacos).
     

A medula da adrenal é uma exceção: recebe diretamente fibras pré-ganglionares e libera epinefrina e norepinefrina, com efeito semelhante ao da ativação simpática generalizada.

 

2. Divisão Parassimpática (Craniossacral)

  • Origem: tronco encefálico e segmentos sacrais S2 a S4 da medula.

  • As fibras pré-ganglionares, mais longas, saem pelos nervos cranianos III, VII, IX e X, e por raízes sacrais.

  • Os gânglios parassimpáticos ficam próximos ou dentro dos órgãos-alvo (gânglios intramurais).

  • Fibras pós-ganglionares são curtas.

  • Neurotransmissor: acetilcolina, tanto nas fibras pré quanto pós-ganglionares.

  • Atua em situações de repouso e recuperação (ex.: diminui a frequência cardíaca, estimula a digestão).
     

3. Divisão Entérica

É uma rede autônoma de neurônios e gânglios que controla diretamente as funções do tubo digestório. Pode operar de forma independente, mas recebe influência das divisões simpática e parassimpática.

 

Ação Integrada:

A maioria dos órgãos é inervada por ambas as divisões (simpática e parassimpática), que atuam de forma oposta ou complementar. Por exemplo, o simpático acelera o coração, enquanto o parassimpático o desacelera.

Referências:

ABRAHAMSOHN, P. Histologia. Rio de Janeiro: Grupo Gen - Guanabara Koogan, 2016.

HISTOLOGY GUIDE. Nervous Tissue - Neurons. Disponível em: https://histologyguide.com/. Acesso em: 12 jul. 2025.​​​

Junqueira, L. C., & Carneiro, J. (2017). Histologia Básica (12ª ed.). Guanabara Koogan. [Capítulo 9 - Tecido Nervoso]

​​

Nervous Tissue | Histology Guide. Disponível em: <https://histologyguide.com/gallery/06-nervous-tissue.html?page=7>. Acesso em: 12 jul. 2025.

Ross, M. H., & Pawlina, W. (2016). Histologia: Texto e Atlas (7ª ed.). Guanabara Koogan. [Capítulo 11 - Sistema Nervoso]

UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS (UNICAMP). Neurônios no tecido nervoso [Imagem]. In: AnatPat – Atlas Virtual de Histologia. Disponível em: https://anatpat.unicamp.br/. Acesso em: 12 jul. 2025.

 

© 2022 by Paulo Santos. 

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